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Idéias
na mão
Vanessa Candia
O cinema brasileiro precisa de coisas novas. Chega destes filmes feitos por uma indústria cinematográfica que nem é daqui. Nada contra os filmes de comédia como os do caipira
Mazaroppi, mas com tantas coisas ocorrendo ao nosso redor... Podemos fazer uns filmes que retratem mais a realidade de nosso povo. Olha o neo-realismo da Itália, eles retratam um mundo pós-guerra!
Pra que passar filmes que mostrem somente um povo feliz, numa realidade que não é a nossa? Para o governo, não interessa que o povo tenha cultura, que o povo pense. Gasta-se uma fortuna em contratos e produções sendo que não tem idéias. Então, quando aparecem pessoas como nós, dispostas a inovar... sofremos censura.
José Molica Marins, vulgo Zé do Caixão, tentou. Mas numa área diferente: terror. Marcou. Mas de terror já basta à miséria que esse povo vive. Humberto Mauro inovou com documentários que mostravam um país abandonado. Mostrou a pura realidade, deixando que o público fizesse sua interpretação.
Empolgados com nossa idéia, surgiram alguns centros de cinema e um deles vinculado a UNE, o Centro Popular de Cultura que fez o documentário
Cabra Marcado para Morrer (1964). Sofreu censura, mas depois voltou.
Arraial do Cabo (1959) e Aruanda (1960) foram outros documentários importantes.
O mais importante da arte do cinema é utilizar a arte para dar cultura ao povo. E não criar uma cultura irracional. Não é preciso coisas grandes. Coisas maravilhosas e belas que servem somente para distrair e mais nada. Festival de Karlovy Vary, Tchecoslováquia premiou o filme
Barravento (1961). Até quando só seremos reconhecidos fora do nosso País? Outro, como
O Pagador de Promessas (1962), do Anselmo Duarte, ganhou a Palma de Ouro em Cannes e foi o primeiro filme a ser indicado para o Oscar. Aqui, sofreu censura.
Rio 40 Graus (1955), Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964),
Garrincha - Alegria do Povo (1963), Macunaíma (1969), Terra em Transe (1967),
O Padre e a Moça (1960), Vidas Secas (1964), Noite Vazia (1964) e
Tocaia no Asfalto (1962) fizeram parte dessa história do Cinema Novo.
Passou o Cinema Novo e vieram as pornochanchadas. Era preciso distrair a população enquanto os militares faziam suas atrocidades nos porões do Brasil. Mas também passou. O que mais virá, não sei. Quem sabe, mais à frente, outros jovens amigos, como Humberto Mauro, Paulo César Sarraceni, Mário Carneiro, Nelson Pereira dos Santos, Gustavo Dahl, resolvam retratar a realidade do Brasil. Bom, isso é provável, mas acho que como nós pensávamos, nunca mais. Podem nos considerar pobres... de imagens.
Precisa pouco para se fazer cinema. Não precisa se preocupar com grandes e caras produções. Estética é coisa de capitalista e militar. O que precisa apenas é de "uma idéia na cabeça e uma câmera na mão".
Glauber Rocha
criação: lisandro staut
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