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Sexo, humor e baixaria
Isadora Schmitt
Sexo. Palavra pequena, mas muito presente na vida das pessoas. Não há como evitar. As publicidades, os periódicos e os diversos meios de comunicação estão repletos de coisas que fazem alusão ao tema. Dentro da arte cinematográfica, a sexualidade é encarada muitas vezes de forma deturpada e até mesmo vulgar. Em relação ao cinema brasileiro, a problemática com certeza já foi mais presente. Apesar dos filmes tupiniquins viverem uma fase de evolução, não se pode esquecer das "célebres" películas picantes produzidas,
principalmente, nos anos do regime militar.
A tão conhecida "pornochanchada" foi o estilo que perdurou durante muito tempo no País. Por mais que a categoria tenha executado um importante papel para a cultura audiovisual brasileira, infelizmente acabou estereotipando o cinema brasileiro de uma forma negativa. Até pouco tempo, muitos se negavam a assistir produções nacionais achando que só encontrariam sexo, palavrões e baixaria. O que não deixa de ser ignorância, pois mesmo naquela época já eram produzidos filmes de nível cultural mais elevado. Principalmente os que retratavam obras da literatura brasileira.
Mesmo assim, algumas obras do romancista Jorge Amado foram reproduzidas para o cinema e hoje são considerados clássicos das pornochanchadas. O maior sucesso foi, sem sombras de dúvidas, o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos
(1975), dirigida por Bruno Barreto. Protagonizada por Sônia Braga (Flor), José Wilker (Vadinho) e Mauro Mendonça (Teodoro), a trama apelativa é até hoje a recordista de bilheterias do cinema nacional, alcançando um público de 12 milhões de espectadores. O filme foi muito elogiado e sua fama se estende até hoje.
Xuxa - a tão querida rainha dos baixinhos - também foi estrela do segmento. Na película
Amor, Estranho Amor (1982), protagonizada por Tarcísio Meira (o governador Osmar) e Vera Fisher (a prostituta Anna), a loira protagoniza cenas que já deram o que falar durante a sua carreira de apresentadora.
O filme, dirigido por Walter Hugo Khouri, é extremamente polêmico, pois existem imagens em que Xuxa (interpretando a atrevida prostituta Tâmara) copula com um menino. Mais tarde, quando ela começou a trabalhar com crianças, Xuxa fez de tudo para evitar a exibição do trabalho e o seu lançamento em vídeo. Hoje é praticamente impossível encontrar uma cópia do filme. Irônico, não?
Humor e erotismo
Outros inúmeros sucessos foram exibidos na época. Um que vale a pena ressaltar é
O Bem Dotado, O Homem de Itu (1978), dirigido por José Miziara. O filme - protagonizado por Nuno Leal Maia (Lírio) - caracteriza bem a cultura da pornochanchada: a mistura de humor com erotismo. O trabalho fala sobre um homem nascido em Itu, que devido ao grande tamanho de seu pênis, acaba indo para a cidade grande para satisfazer os desejos das mulheres de classe alta.
Além destes, outras produções de baixo nível obtiveram destaque no período.
A Dama do Lotação (1978), dirigido por Neville de Almeida e protagonizado por Sônia Braga e
Mulher Objeto (1981), com a fogosa Helena Ramos e dirigido por Silvio de Abreu. Este alcançou um público de dois milhões de espectadores.
Durante o regime militar, a censura também invadiu a indústria cinematográfica. Como os generais faziam mais vista grossa aos filmes de caráter político-ideológico houve uma febre de produções eróticas que acabaram baixando o nível do cinema brasileiro. É por isso que muitos críticos dizem que a pornochanchada é fruto da ditadura em que o Brasil estava inserido no momento.
Hoje o momento político é outro. O sexo não está tão presente no cinema, apesar de estar sendo deturpado dentro da televisão aberta. Os filmes também diferem do estilo do Cinema Novo. Apesar da qualidade dos filmes, muitos anseiam pela volta do erotismo do passado. Os nostálgicos de plantão sentem falta dos palavrões e das mulheres nuas que caracterizavam os anseios dos brasileiros da época.
criação: lisandro staut
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