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Semana que perdura

Caroline Ferraz

O bolchevismo saiu vitorioso na Revolução Russa. As idéias comunistas repercutiram pelo Brasil, e igualmente no mundo. Em 1917, o País enfrentou uma greve de mais de 120 mil trabalhadores em pontos "estratégicos", Rio de Janeiro e São Paulo. O Partido Comunista surgiu em 1922, com o discurso de superioridade política sobre as outras organizações operárias. 

A Primeira Guerra Mundial também marcou historicamente a nação. Este fato abalou culturalmente o Brasil atrasando seu crescimento e modernização. Por outro lado, os beneficiados foram os proprietários rurais de São Paulo e Minas Gerais que se fortaleceram na economia do café.

Antecedentes da semana

O modernismo brasileiro se definiu na época da Semana da Arte, graças aos europeus que participaram do evento trazendo o seu conhecimento. Essa fase de caracterização pode ser dividida em três momentos. O primeiro deles, se deu com a chegada de Oswald de Andrade ao Brasil, trazendo novas formas de expressão artística. 

A exposição de Lasar Segall, em 1913, em Campinas, marcou o segundo momento. Trouxe a primeira amostra da pintura não acadêmica. O período de definições se encerra com a crítica de Oswald de Andrade no semanário O Pirralho (revista de arte fundada por Oswald de Andrade e Emílio Menezes em 1911).

Em Portugal, o marco inicial do modernismo foi a publicação da revista Orpheu, em 1915. Ronald de Carvalho, Fernando Pessoa e Mario de Sá-Carneiro participaram ativamente da revista. Esses fatos realçaram a importância de uma "renovação" da cultura brasileira. Grandes artistas favoreceram tal mudança, cada qual com seu conhecimento e área de atuação.

O grande evento

A Semana da Arte Moderna aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922, com três grandes festivais. A semana se caracterizou pela modernização de nossa cultura, até então, um pouco atrasada e muito tradicionalista. Seu objetivo era renovar o ambiente artístico e cultural expressados na literatura, arquitetura, música e escultura. 

A imprensa paulistana logo cobriu o evento, especulando os possíveis participantes. Graça Aranha abriu a conferência da primeira noite com música de Ernâni Braga e poesia de Ronald Carvalho. No dia 15, a grande atração ficou por conta do pianista Guiomar Novaes. E no terceiro e último dia do grande festival, o músico Villa-Lobos se apresentou em meio a vaias, por subir de casaca e chinelo no palco. Não por maldade, mas tinha machucado o pé. 

A Semana da Arte Moderna teve a participação de grandes personalidades que fizeram história. Na música, nomes como Villa-Lobos, Guiomar Novaes, Ernâni Braga e Frutuoso Viana. A literatura não deixou a desejar, com Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, entre outros. 

Anita Malfaltti, Di Cavalcanti, Zina Aita, Ferrignac (Inácio da Costa Ferreira), também deram o ar da graça. Suas pinturas ficaram expostas também alguns dias antes, em frente ao Teatro Municipal. Ademais, a arquitetura e a escultura foram representadas pelas obras de profissionais da área.

Missão cumprida

A Semana da Arte não se perdeu no tempo. Sua relevância para a cultura brasileira tem sido confirmada ao longo dos anos. Como evento, alcançou o seu objetivo: tornar-se um símbolo da mentalidade renovadora no Brasil. A exposição foi cuidadosamente preparada. 

A Semana de 1922 agradou o público, envolveu jovens das mais variadas tendências. Desde o início, a programação serviu para projetar os seus organizadores. Mais tarde, quando reconhecidos, tiveram voz para analisarem o próprio movimento.

Certamente, a Semana da Arte Moderna foi um marco histórico. Foi o pontapé inicial de um processo de renovação e transformação da produção cultural brasileira. O Brasil dava as boas-vindas ao modernismo.

                    

criação: lisandro staut