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Pioneira desconhecida
Isadora Schmitt
O Brasil é um País repleto de mulheres que marcaram época. No jornalismo atual, profissionais como Dora Kramer, Marília Gabriela, Eliane Cantanhêde, Glória Maria,
Teresa Carom, Ana Amélia Lemos e Ana Paula Padrão se imortalizaram pelo trabalho e competência. Muitos, porém, se esquecem das pioneiras.
Nascida na Bahia em 1.º de dezembro de 1817, Violante Bivar é
considerada a primeira jornalista brasileira - há controvérsias,
contudo, quanto a ser a primeira mulher a exercer a profissão no País.
Discute-se se foi ela ou a argentina Joana Paula Manso de Noronha a
fundadora do primeiro periódico feminino, O Jornal das Senhoras,
em 1852, publicado no Rio de Janeiro.
Violante, além de poliglota, dedicava-se às artes e às atividades literárias, sendo o jornalismo e a tradução
seus dois principais ofícios. Seu pai,
Diogo Soares da Silva Bivar, foi membro do Conselho Imperial e primeiro presidente do Conservatório Dramático do Rio de
Janeiro. Isso lhe abriu para caminho para atuar como crítica teatral;
possuía liberdade para censurar qualquer peça.
Fundadora ou não do Jornal das Senhoras, é certo que o dirigiu de
1852 a 1855. Em 1873, a baiana criou o jornal
O Domingo, veículo que dirigiu até a morte, em 25 de maio de
1875. Publicou seu primeiro livro, Algumas Traduções, em 1859.
Pode-se dizer que a jornalista arriscou ser verdadeiramente mulher - no sentido mais puro da palavra - em uma época onde a maioria das mulheres era analfabeta e omissa aos problemas do "mundo dos machos".
(Leia o texto
A mulher, na
seção Opinião)
Feminista convicta, Violante defendeu vorazmente a igualdade intelectual entre os sexos e a supervalorização da mulher - mãe.
A jornalista era casada com o tenente João Antônio Boaventura Velasco.
Violante foi a primeira de muitas que surgiriam e de outras que por enquanto não saíram do anonimato. Pelo fato da sensibilidade ser mais latente nas mulheres, os homens têm perdido grande espaço dentro do jornalismo - ofício que, no passado, era totalmente dominado por eles.
Mas, talvez devido ao preconceito que ainda impera sobre o sexo feminino, existem pouquíssimas informações sobre ela. O número de brasileiros que sabem de sua contribuição para a
imprensa feminina é muito reduzido. Para se ter uma idéia do tamanho do anonimato, não
encontrei nenhuma foto ou pintura para ilustrar o texto.
Uma pena. Tão ilustre e tão desconhecida.
criação: lisandro staut |
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