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O aliado cri-crítico do jornal

Marcelo Viana

A Folha de S. Paulo tem sido considerada por muitos como referencial jornalístico no País. Porém, como qualquer meio de comunicação, é passível de erros. Seguindo o exemplo de outros jornais no exterior, a Folha, em 1989, criou a presença do ombudsman. Vários jornalistas já ocuparam o cargo no veículo, procurando tornar o jornal melhor editorialmente.

O atual é Bernardo Ajzenberg. Ele nasceu em São Paulo, é formado em Jornalismo pela Fundação Cásper Líbero. Já trabalhou em diversos órgãos como Gazeta Mercantil, Última Hora, Veja. Ele está na Folha desde 1987 e já foi diretor de conteúdo do online. Atualmente ocupa o cargo de ombudsman e escreve resenhas literárias nos cadernos Mais! e Ilustrada. Ele também publica contos em revistas culturais. Em entrevista ao Canal da Imprensa, ele falou sobre seu trabalho e sua influência sobre jornalistas e leitores.

Canal - Como o senhor vê a Folha de S. Paulo antes e depois da implantação do ombudsman? 

Bernardo Ajzenberg - Há desde a implantação uma preocupação mais constante, permanente, com a aplicação dos princípios básicos do jornalismo ("outro lado", precisão, clareza, imparcialidade, etc). Além disso, o cargo estimulou e mantém o estímulo a uma cultura de auto-reflexão transparente e de autocrítica regular.

Canal - Qual é o retorno que pode ser visto no jornal em forma de solução de problemas?

Ajzenberg - É a própria qualidade do jornal. Se ainda deixa muito a desejar, deixava mais ainda, antes de 1989.

Canal - Atualmente qual é a visão que os jornalistas têm da colaboração do ombudsman?

Ajzenberg - Para a maioria, creio que é visto como um aliado chato, cri-cri, mas aliado.

Canal - Qual é a área de atuação do ombudsman na Folha? 

Ajzenberg - A atuação se restringe ao conteúdo editorial do jornal. Dentro desse terreno, ele se move com absoluta independência, podendo até mesmo criticar textos ou iniciativas da diretoria.

Canal - Existe uma interação com o leitor no sentido dele estar mandando críticas e idéias?

Ajzenberg - Não há uma pesquisa específica sobre o tema. Mas é visível que o leitor também cobra posicionamentos e critica, muitas vezes, o próprio ombudsman. Ao mesmo tempo, estão sempre enviando críticas ao jornal, queixas, sugestões, comentários.

Canal - O senhor acredita que o ombudsman tem conseguido melhorar a produção jornalística no país? 

Ajzenberg - Além da Folha, só O Povo, do Ceará, mantém ombudsman. Por isso, é difícil responder a essa pergunta. No que diz respeito à Folha, creio que essa contribuição, como escrevi na primeira pergunta, acontece muito claramente.

Canal - O senhor acredita que o ombudsman ajuda a formar seres mais pensantes ou apenas gera um espaço onde estas pessoas podem mandar suas críticas?

Ajzenberg - Acredito, sim. Mas acredito, também, que outros canais de participação e de cobrança da população em relação à mídia devam ser estimulados. É o caso de observatórios, conselho de leitores, etc.

                   

criação: lisandro staut