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O
primeiro a gente nunca esquece
Thiago de Melo
Caio Túlio Costa, 49 anos, nasceu em Alfrenas, interior de Minas Gerais. Formado em Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da USP (Universidade de São Paulo) e Filosofia, na mesma rede de ensino. Iniciou sua carreira jornalística em 1972 como cronista social do jornal
O Imparcial, em Tupi Paulista, interior de São Paulo.
Em agosto de 1989, durante uma reunião da cúpula de edição da Folha de S.
Paulo, em que se tratavam de assuntos referentes a mudanças do jornal, foi indicado em tom de brincadeira o nome de Túlio Costa para exercer a função de
ombudsman. O cargo já havia sido efetivado com sucesso por jornais como o El País (Espanha) e
Washington Post (Estados Unidos).
O tom irônico devia-se ao fato de que para cumprir a função de crítico do jornal, encarar a redação e os leitores, ninguém melhor que a "encarnação do autoritarismo, o cara mais chato da redação". Segundo Leão Serva, colega de profissão, Túlio Costa tinha talento para prever problemas. No entanto, exercia esta capacidade de um jeito tão antipático, sempre provocativo, que quando irritado chegava a ser violento.
A idéia de alguém que fizesse o papel de mediador entre o jornal e o leitor foi aprovada. Túlio Costa que morava em Paris, onde atuou de 1987 a 1989 como correspondente da
Folha, foi contatado. Surgiu assim o primeiro ombudsman da imprensa brasileira.
O
jornalista ocupou o cargo de 24 de setembro de 1989 a 22 de setembro de
1991, cumprindo dois mandatos.
Em
seu livro O Relógio de Pascal, Túlio Costa comenta sua visão
inicial quanto à função que lhe fora designada. Mostrou cultivar,
digamos assim, a “humildade”.
“Por ter começado no
jornalismo em 1972 (...), ter passado pela irrequieta imprensa estudantil
na década de 70 (...), ter ajudado a colocar de pé um mensário
alternativo, único na sua radicalidade (Beijo), ter colaborado com
Caio Graco Prado e Cláudio Abramo na criação do Leia Livros (no
final dos anos 70), ter dado aulas de Jornalismo na PUC de São Paulo, ter
editado a Ilustrada e secretariado a redação da Folha durante
cinco longos anos (...), eu me sentia em parte preparado para exercer a
função de advogado do leitor e críticos dos meios de comunicação de
massa.” (págs. 9 e 10)
O Relógio de Pascal ainda analisa aspectos no jornalismo que devem ser tratados com muito cuidado como sensacionalismo, comodismo e o problema de uma notícia mal apurada. É
um bom livro, de leitura obrigatória para quem deseja entender o tema.
Atualmente, Túlio Costa leciona na Faculdade Cásper Líbero. Tendo como intuito de montar um curso que "motive e melhore a capacidade crítica dos alunos". Exerceu a função de consultor do Universo Online (UOL), portal que ajudou a fundar e onde trabalhou de 1996 a novembro de 2002.
Para Túlio Costa, a ética é o solo, o pilar, tanto no jornalismo como em qualquer outra profissão. Ele acredita que o maior mérito do cargo é ter facilitado a comunicação do leitor com a redação.
* Os dados
históricos deste artigo basearam-se na página oficial do ombudsman na
Folha de S. Paulo e no projeto experimental de Luiz Carlos Erbes,
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Urgs), em outubro de 1991
criação: lisandro staut |
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