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Jornalismo popstar

Victor Drummond

O jornalista Lima de Amorim atuou como chefe de reportagem e editor em veículos como Rádio Tupi, Jornal do Brasil, O Globo, revista IstoÉ e TV Globo. Foi coordenador de Comunicação Social da Prefeitura do Rio de Janeiro em dois governos - Saturnino Braga e Marcello Alencar. É sócio-fundador da Século Z Comunicação, que prestou serviços de assessoria de imprensa para empresas e instituições como Banco do Brasil, Votorantim, Shell e Unesco e comandou equipes de assessoria de imprensa em campanhas eleitorais para prefeito no Rio de Janeiro e em Niterói.

Lima concedeu esta entrevista ao Canal durante o 6º Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas, em que palestrou sobre a indústria da fama.

Canal - Como se processa a indústria da comunicação hoje?

Lima - Hoje ela se constrói em um nível cada vez mais profissional, mais complexo. O amadorismo está perdendo espaço. Essa indústria move atualmente estruturas gigantescas. O amadorismo tende a acabar, cresce a sofisticação, e tudo toma rumo de negócio pensado. A pesquisa está ficando muito importante nesse negócio.

Canal - Você acredita que essa indústria do entretenimento tem levado o indivíduo que quer ser famoso a perder seus princípios em função dessa fama?

Lima - Sim, tanto que a TV Globo criou um departamento só para lidar com a situação mental de pessoas que ficaram famosas de repente e não suportaram as conseqüências desse status.

Canal - É possível separar a profissão jornalística, uma profissão totalmente isenta, da indústria da fama? Ana Paula Padrão, âncora do Jornal da Globo, por exemplo, não conseguiu se safar, transformando-se em popstar.

Lima - Impossível, porque uma das grandes ambições de quem quer ficar famoso é não estar na fama, mas ser da fama. É muito comum ver o transe de pessoas que estão fora da mídia, mas depois entram na mídia, passam a fazer parte da mídia, e então se consolidam com o status de famosa. E o movimento contrário está acontecendo, assim como nos Estados Unidos, em que pessoas da imprensa se transformam em estrelas tanto quanto artistas, atores e outros integrantes desse meio.

Canal - Você acredita que a indústria da fama transforma o jornalismo sério em um "shownarlismo"?

Lima - Não, não. Pelo contrário, existirão sempre aqueles profissionais que fazem jornalismo do melhor padrão e vão ser famosos. O que acontece é que essas pessoas não têm espírito mercantilista e não entram na engrenagem do negócio. Mas que eles serão famosos, serão. Até eventualmente, mitos.

Canal - A indústria da fama é conseqüência da indústria do entretenimento ou vice-versa? 

Lima - A indústria da fama se originou da indústria do entretenimento (pausa). Ela vai continuar ligada a ele. A diferença é que essa indústria vai ter uma porção cada vez maior de entretenimento. A origem dela foi o entretenimento, era só entretenimento. Depois a fama alcançou outros setores e está transformando estes outros setores em entretenimento. Até porque no conceito de publicidade, deliberadamente se mistura o acontecimento em si, com o evento, a presença de pessoas famosas e com interesses comerciais.

O desafio, um dos conceitos novos em propaganda, é justamente quebrar o padrão que existia de interrupção com o top que havia na televisão para entrar um comercial. Estão tentando eliminar essa barreira, porque quando se interrompe, cai a atenção do telespectador e eles não querem perder a atenção. Estão misturando tudo. A tendência é essa.

                                        

criação: lisandro staut