editorial | debate | imprensa | mídia
 cultura | perfil | nostalgia | opinião
  cotidiano | | leitor | e-mail | expediente
anteriores
| próximas edições
| inicial

Pedro Bial, um jornalista
com Big utilidades


Dalvina Nascimento

Pedro Bial: ex-correspondente de guerra ganha a vida como "entertainer"Pedro Bial. Carioca. Data de nascimento: 29 de março de 1958. Descendente de alemão, 1.92 metros de altura, adora futebol - é fluminense militante. Profissão: jornalista. Trabalho mais recente: apresentador do Big Brother Brasil. Jornalismo?

Em 1980, Pedro Bial graduou-se em Jornalismo pela PUC do Rio de Janeiro. Já em 1981, entrou para a Rede Globo. Dois anos depois, mostrando competência, substituiu a apresentadora Leda Nagle nas entrevistas especiais de sábado do jornal Hoje - símbolo de entretenimento à época.

Bial entrou para a equipe do Globo Repórter em 1984. Trabalhou no Brasil até 1988, quando se tornou correspondente em Londres. Fatos marcantes do fim do milênio foram transmitidos por ele, como a queda do Muro de Berlim, o colapso do comunismo e a Guerra do Golfo. 

Como correspondente, Bial viveu aventuras que marcaram sua vida. Em seu livro Crônicas de Repórter (
leia resenha), ele narra que, durante a cobertura da Guerra do Golfo, um grupo de beduínos jordanianos o convidou para jantar. O jornalista aceitou o convite, sem saber que o convidado é obrigado pela tradição beduína a "degustar" o olho do prato principal, que era carneiro assado. Sem ter escolha, comeu.

Além de Crônicas de Repórter, Bial também é autor de Leste Europeu: A Revolução ao Vivo, este em parceria com Renée Castelo Branco, sua primeira esposa. O jornalista também é amante das artes cinematográficas. Ao passar pelo cinema, dirigiu o filme Outras Estórias e o documentário Os Nomes do Rosa, ambos baseados no livro Primeiras Histórias, de Guimarães Rosa, um de seus autores predileto, juntamente com Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes.

Vida de entertainer

De volta ao Brasil, em 1996, Bial começou a apresentar o Fantástico e o Espaço Aberto, da Globo News. As críticas começaram aí, pois o Fantástico já era considerado popular à época e Bial era um ex-correspondente de guerra, logo de prestígio. Em entrevista à revista Trip, ele desabafa: "Tive problemas para me adaptar. Minha volta ao Brasil, em termos pessoais, foi um pequeno desastre".

Descendo ainda mais o nível, no início de 2002, Bial se transformou na peça principal do Big Brother Brasil. O público feminino adorou e, da primeira para a segunda edição, exigiu a presença do jornalista. 

Bial no comando do BBB: elas gostaram e pediram bisEmbora ele diga não gostar da badalação, resultado da fama, o apresentador incorporou o papel e admite que seu comportamento no programa é totalmente contrário à postura de um jornalista sério.

Ele enfrentou muitas críticas por seu trabalho no BBB. Na mesma entrevista, ele diz gostar de levar uma vida calma, o que não combina com o mundo do show business. Deseja mais espaço para ficar lendo, escrevendo e ter mais tempo para curtir os filhos. Para ele a fama é proveitosa por ajudar a vender um livro, um filme, ou algum trabalho na TV. Não suporta ver seu nome como alvo de fofoca.

Pedro Bial viu como um desafio fazer televisão popular, isso devido a sua adolescência "culta". Teve dificuldade para fazer programas populares, mas encarou mesmo assim. Na entrevista, Bial assumiu considerar-se vitorioso em ter feito parte do BBB. Acha legal ter sido uma "ponte" entre a baixa e a alta cultura.

Se hoje Pedro Bial vive da televisão e tem os livros como "apêndice", gostaria de inverter isso no futuro. Enfim, não quer ser um entertainer para sempre.

                    

criação: lisandro staut