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Ali Kamel - Durão e competente

Charlise Alves

Odiado e admirado ao mesmo tempo. Assim é o jornalista Ali Kamel editor-executivo da Central Globo de Jornalismo. Kamel é tachado por seus colegas somente como chefe durão e não como um amigo, pois não demonstra amizade pelos seus colegas de trabalho, somente profissionalismo. 

Apesar de sua genealogia arábica, Ali Kamel nasceu no Brasil, precisamente no Rio de Janeiro. Lá foi batizado por sua avó, de origem baiana - esta é sua única raiz brasileira.

Kamel nem pensava em cursar Jornalismo. Fazia sociologia quando foi influenciado por um parente. Este afirmou que ninguém sobrevive como sociólogo. Naquele instante, ele refletiu e resolveu encarar o desafio: cursar Jornalismo e Sociologia ao mesmo tempo.

Em 1982, Kamel estagiava no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e na Rádio Jornal do Brasil. Quando o contrato com o IBGE acabou, ele continuou a trabalhar na rádio.

O histórico do jornalista - bons colégios e empenho nos estágios -, o levou com menos de três anos de profissão a assumir o cargo de chefe da sucursal e repórter no Rio da revista Afinal. Já em 1986, Kamel teve a oportunidade de demonstrar sua competência jornalística como subchefe da sucursal da revista Veja no Rio.

Todavia, a falta de tempo ocasionou problemas pessoais e ele pediu demissão. Logo recebeu uma proposta do Jornal do Brasil para ser subeditor de política e outro para ser chefe de reportagem dos jornais do bairro. Kamel acabou ficando com a segunda opção, que o deixava com mais tempo livre. 

Em 1991, Kamel se tornou chefe da sucursal de O Globo. Mais  tarde se transferiu para a emissora dos Marinho. Atualmente, trabalha como diretor executivo da Rede Globo.

O sucesso depende de cada um

Em entrevista concedida ao site Observatório da Imprensa (10/3/00), Ali Kamel comenta que seu trabalho é "motivar a equipe de modo que ela consiga fazer a notícia acontecer". "A minha função é coordenar equipes, saber ver o que pode render uma grande história e oferecer os recursos necessários para que as boas histórias se desenvolvam", completa. 

Kamel confessa que não conversa com os repórteres tanto quanto deveria; não sobra tempo. "Mas sempre que alguém me procura eu atendo e, se vejo algo que merece comentário, procuro o editor ou vou diretamente ao repórter", compensa.

A característica básica de Kamel é a força de vontade. Ao achar que determinada tarefa é maior que sua própria capacidade, Kamel dedica num esforço supremo para superar as próprias dificuldades. Para ele, o famoso "friozinho na barriga", é um antídoto contra o erro. "As pessoas têm que ficar nervosas para fazer o melhor", diz. 

Não é à toa que Kamel ocupa um lugar de suma importância na emissora, como editor-executivo da Central Globo de Jornalismo. Economiza sorrisos, mas não esforço.

                    

criação: lisandro staut