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O
jornalismo e o "jornalismo" de
Sonia Abrão
Débora Carvalho
Muitos profissionais de comunicação, traídos pelo instinto da sobrevivência, acabam por misturar profissões e funções. É certo que ser jornalista é informar a sociedade. O grande problema é definir informação, definir jornalismo, definir fato e notícia. Claro, tudo o que acontece, de fato é um "fato". Mas, será que qualquer fato pode ser transmitido como se fosse uma notícia jornalística? Esse é o grande dilema de Sonia Abrão. Formada em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper
Líbero há 17 anos, apresenta o programa
Falando Francamente no SBT.
Fazer jornalismo popular é um grande desafio em função da pouca instrução do público e da quase nenhuma capacidade de aprofundamento em qualquer assunto que não seja a vida de algum ídolo. Surge uma nova e polêmica discussão: seria legítimo denominar esse tipo de informação como jornalística? Seria necessário um diploma de Jornalismo para realizar tais atividades?
À semelhança de Nelson Rubens, Sonia Abrão dedicou-se à área de variedades, como colunista e crítica de TV e rádio. Trabalhou no - felizmente - extinto
Notícias Populares, no também extinto Diário Popular - atualmente Diário de S.
Paulo. Passou por revistas como Contigo!, Amiga, Semanário, entre outras. Foi colunista, redatora, repórter e chefe de reportagem.
Sonia Abrão começou na TV como convidada de programas como Chacrinha, Flávio Cavalcanti, Gugu, Hebe e Raul Gil para falar sobre o assunto de suas colunas em revistas e jornais. Também, participou do policial
Aqui Agora e foi repórter do helicóptero do Gugu. Foi seu trabalho em jornal que acabou por levá-la à TV com o assunto de suas colunas, primeiro como convidada. Passou pelo
A Casa é Sua (Rede TV!) e teve alguns quadros como comentarista de outros programas de TV. Posteriormente, comandou seus próprios programas em rádios AM como Tupi, Globo e América. Atualmente, além de apresentar o
Falando Francamente, trabalha na rádio Capital e assina uma coluna no
Diário de S. Paulo.
No rádio, Sonia teve muito sucesso, tornando-se líder de audiência com suas "notícias". Na televisão, ela dispensou as utilidades dos programas femininos. Tirou quadros de culinária, de moda, artesanato, estética e saúde, e aplicou um
mix de assuntos artísticos, entrevistas com personalidades variadas, denúncia e investigação, flagras e fofocas, e ainda quadros opinativos com a participação de famosos em debate sobre os assuntos da semana - o problema é a opinião da celebridade. Se isso pode ser considerado jornalismo e informação, há controvérsias.
Sonia Abrão pratica um tipo de "jornalismo" sensacionalista, divulgando fotos mais marcantes dos acontecimentos mais "quentes" publicados em jornais e revistas num quadro sobre fatos e boatos, que inclui material estrangeiro. O pior é que a população gostou, e outras apresentadoras começaram a imitá-la.
Também foi sua a idéia de veicular um site de variedades internacionais, contendo "fofocas" do que acontece pelo mundo afora, e encher de
mershandisings os programas.
No site do Falando Francamente, suas informações são tidas como "qualificadas". Que ela pratica interação com o público, é verdade, mas quanto à "qualificação" de suas informações e pautas... É preciso redefinir os conceitos jornalísticos de qualidade de informação.
Os quadros do programa Falando Francamente, definidos pelo próprio site do SBT como uma fonte de "conhecimento da informação ampla e bem fundamentada, resultante da análise e combinação de diversos meios de comunicação", são, basicamente, um acúmulo de palavras sem fundamento sobre assuntos triviais, que nada acrescentam à vida das mulheres. Claro que ocupa o tempo, fala sobre alguma "manchete", mas não analisa de fato o assunto. Até porque o jornalismo popular abomina análises, como afirma qualquer professor de Jornalismo.
Se o programa Falando Francamente é realmente "um espaço aberto para todos os que têm algo a dizer", também é verdade que Sonia Abrão media muitas palavras que dizem nada. Seus convidados especiais passam por entrevistas superficiais sobre suas vidas particulares, detalhes extremamente simples e sem razão de serem comentados - a começar pelas perguntas.
Entretenimento pode até ser, pois como diz o provérbio também popular, "há gosto pra tudo". Agora, cultura e informação jornalística, "falando francamente", não é não. Será que quando Sonia Abrão prestou vestibular para Jornalismo na Cásper Líbero, era esse tipo de jornalismo que sonhava exercer? Se sim, parabéns para ela por ter realizado seu sonho. Se não, que pena, porque está conseguindo desviar a atenção do público feminino para aquilo que uma mulher "feminina" - não feminista - precisa se ater, que é desenvolver seus talentos e aprender cuidar de si e de sua família com mais carinho e criatividade.
criação: lisandro
staut |
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