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O
papa da paz
Paulo Henrique
Mondego
Quem olhava o seu corpo curvado, sua mão trêmula - sinais do mal de Parkinson - e sua voz cansada jamais poderiam imaginar que por 26 anos um homem senil liderou a religião de maior expressão mundial, o catolicismo. Karol Josef
Wojtyla assumiu o trono do Vaticano para fazer o que ninguém havia
realizado antes. Com o nome de João Paulo II, o papa revolucionou a história da
igreja desde a sua eleição até sua morte.
Apesar de velho e cansado, João Paulo II sempre agiu com força e determinação nas decisões da Santa Sé. Foi contra o aborto, a eutanásia, a união de homossexuais, a flexibilização do celibato, o uso de anticoncepcionais, etc. Tratava de temas atuais com a destreza de um jovem num mundo moderno. Um deles é a comunicação em prol da paz e do amor.
Em mensagem para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais, em janeiro de 2005, o sumo pontífice declarou: "Minha Oração na Jornada Mundial das Comunicações Sociais deste ano é que os homens e as mulheres dos meios de comunicação assumam seu papel para
derrubar os muros da divisão e a inimizade em nosso mundo, muros que separam os povos e as nações entre si e alimentam a incompreensão e a desconfiança. Oxalá usem os recursos que têm a sua disposição para fortalecer os vínculos de amizade e amor que são sinais claros do nascente
reino de 'Deus' aqui na Terra."
Rompendo barreiras
Wojtyla foi um homem além do seu tempo. Quebrou tradições, rompeu barreiras e transpôs abismos de diferenças étnicas e religiosas para alcançar a paz e a igualdade tão perseguidas por ele. Nenhum outro papa visitou tantos países como ele. Durante seu papado, pisou no solo de 145 nações, totalizando 210 viagens fora da Itália, além de outras 142 dentro de seu país.
De origem humilde, João Paulo II nasceu em Wadowice, pequena aldeia medieval da
Polônia. Perdeu sua mãe em decorrência de complicações no parto - ela e a criança não resistiram. Com apenas nove anos de idade foi criado com severidade militar, pois seu pai era oficial do exército polonês. Seu dia era dividido entre estudos, missas e deveres de casa. Além disso, apresentava interesse por esportes, exercícios físicos e viagens. O que lhe deu resistência para tantos anos de pontificado.
Como se não bastasse a morte da mãe, Wojtyla perdeu um terceiro familiar. Um irmão que era médico, e que foi vítima de escarlatina após contrair a doença de um paciente. Mas, as dificuldades não abalaram seus sonhos. Sozinho, dedicou-se aos esportes,
à literatura e mais tarde ao teatro. Além disso, ingressou na Faculdade de Literatura e Filosofia da Universidade de Cracóvia, em junho 1938.
Somente em 1942 decidiu que seria sacerdote da Igreja Católica. Neste mesmo
ano ingressou no seminário. Tornou-se padre em 1.º de novembro de 1946. Pouco tempo depois de sua ordenação, foi enviado
à Roma para estudar na Universidade de Angelicum. Foi bispo auxiliar em Cracóvia e bispo em Roma, onde trabalhou como assistente do
arcebispo Baizak, que morreu em 1962.
Com a morte de Baizak, Wojtyla assumiu seu posto permitindo o seu ingresso na alta-cúpula da Igreja Católica. Três anos depois, recebeu do papa Paulo VI a nomeação de cardeal-arcebispo.
Isto lhe dava direito de participação nas reuniões do alto-clero romano. Contudo, foi nomeado para o
Comitê do Clero, Liturgia e Educação Romana. Desta maneira, sua atuação nas reuniões dos concílios possibilitou aos
cardeais o conhecimento de suas idéias e trabalhos. Assim, em 16 de outubro de 1978, Karol Josef Wojtyla tornou-se o primeiro papa
não-italiano desde 1523.
João Paulo II foi o papa que mais quebrou paradigmas. Esteve em Cuba, o último reduto comunista do
Ocidente, onde se permitiu fotografar ao lado de Fidel Castro. Em visita a sua terra natal, rezou no
ex-campo de concentração nazista de Auschwitz, sul da Polônia. E pela primeira
vez um papa visitou uma sinagoga, tornando-se um fato histórico para Roma.
O papa da paz nunca será esquecido. Em seus 26 anos de trabalho intenso, o sumo pontífice conduziu a
igreja a passos largos em busca dos seus objetivos. Ele viajou em busca da reconciliação entre os povos. Não conseguiu tudo que queria, mas fez o que nenhum outro fez.
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