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A
vida por um ideal
Jeanne Moura
Jornalista e idealizador do Greenpeace, ONG em prol da preservação do meio
ambiente. Sonhador e cheio de convicções. Esse foi Bob Hunter, líder dos "Guerreiros do Arco-íris".
Hunter nasceu no ano de 1943, em St. Boniface, província de Manitoba, Canadá, região dos índios Ojibwa e Assiniboine, os quais tiveram grande influência em sua vida. A experiência mais marcante teria sido
numa noite sentado em frente uma fogueira e, numa conversa com uma velha índia chamada Olhos de Fogo, da tribo Cree, ouviu certa profecia de que em 200 anos a Terra estaria destruída pela ação do homem: "A terra adoecerá. Os pássaros cairão do céu, os mares se escurecerão e os peixes aparecerão mortos nas correntezas dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas o recuperarão depois para ensinar ao homem branco a reverenciar a terra sagrada. Então, todas as raças se unirão sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição; será o tempo dos guerreiros do arco-íris".
Havia, sem dúvida, certa fé que o tornava convicto de suas ideologias. E, por essa fé, fundou uma religião, a Igreja de Toda a Terra, após escrever vários
livros - supostamente Bíblias da religião verde.
Hunter sempre esteve envolvido em debates e movimentos a favor da preservação ambiental. Tanto que, foi num destes programas que conheceu a sua esposa, com quem teve dois filhos. Zoe Rahim,
antes de se tornar Hunter, era ativista da Campanha pelo Desarmamento Nuclear.
A gravidez dela impediu Bob de realizar seu sonho de se tornar escritor e morar em Paris e
Londres.
Não podendo mais seguir este sonho, Hunter foi trabalhar no jornal Winnipeg
Tribune, na cidade de Vancouver, da qual ele diria mais tarde: "Possuía a maior concentração de defensores das árvores e protetores dos animais, de estudantes radicais, de opositores ao lixo nuclear, de nudistas, budistas e de manifestantes contra a guerra, a poluição e a incineração de resíduos, por habitante do País e, inclusive, do mundo".
Escreveu nessa época, também, seu primeiro livro "Erebus", ao qual ele se referia como "um lugar na escuridão entre o céu e o inferno". Recebendo prestígio por suas realizações no primeiro jornal e com seu primeiro livro foi contratado pelo jornal
Vancouver Sun, onde se torna símbolo da contracultura. E nesse ínterim, escreve diversos outros títulos.
Dedicando-se ao estudo de questões ambientais decidiu iniciar outra jornada. No dia 15 de setembro de 1971, embarcou com outros 11 ativistas num velho navio baleeiro, num desafio aos Estados Unidos que estava prestes a realizar testes nucleares no Alasca - projeto que Hunter e os demais tentavam impedir. Mas antes, eles mesmos foram impedidos pela Guarda Costeira dos EUA e expulsos da região.
Sentindo-se fracassados, chegaram a Vancouver e foram surpreendidos pela grande onda de protestos que havia tomado todo o país. O fato virou manchete na maioria dos jornais em toda a América do
Norte e o resultado foi o adiamento do teste e, após a realização do mesmo, o local nunca mais foi usado para provas atômicas. Porém, os testes passaram a ser realizados em outro lugar, no Pacífico Sul.
Jornalista hippie
Em 1973, Hunter, junto a alguns amigos ecologistas, fundou o Greenpeace, com atenção especial voltada para duas palavras: Green e Peace
(verde e paz). Seguindo viagem com duas bandeiras hasteadas, a da ONU, expressando a intenção internacionalista e a bandeira do recém-nascido Greenpeace.
Hunter foi o primeiro presidente do Greenpeace, mas abandonou o cargo devido a desavenças com outros militantes do grupo. Esteve envolvido em inúmeras manifestações e tornou a entidade
uma ONG mundialmente reconhecida. Seu discurso era: "Se nós ignoramos as leis da natureza, continuaremos a ser culpáveis de crimes contra a Terra. Nós não seremos julgados pelos homens por esses crimes, mas por uma justiça exercida pela própria Terra. A destruição da Terra conduz, inevitavelmente, à nossa própria destruição".
Num de seus últimos livros apontava o ano de 2030 como o ponto sem volta para o desastre final, que seria a destruição da Terra pelo próprio homem. Mesmo com títulos e reconhecimento, chegou ao fim de sua vida com pessimismo e desgosto. Afirmava que não conseguia acreditar que, após 40 anos de luta, a ecologia não se tornou manchete nos principais jornais nem a televisão a considerava como tema principal. Escreveu, ainda, uma carta para seu neto desculpando-se pelo mundo que sua geração deixava para ele.
Em 2 de maio de 2005, Hunter morreu vitimado por um câncer de próstata, com
o qual lutava há seis anos. Ele recusou qualquer intervenção cirúrgica, confiando nos tratamentos alternativos dos índios Tarahumara do México. Faleceu frustrado por não ter corrigido a consciência ambiental do homem, mas sentido-se privilegiado por defender a Terra e "por ter tido a oportunidade de servi-la".
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