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| A sutileza do humor | |||||||
| Luzia Paula | |||||||
| Durante o regime militar, os meios de comunicação tiveram que criar diversos artifícios para burlar a ditadura. Se algum jornalista “ousasse” criticar ou denunciar o governo saía da redação direto para a prisão. Foi justamente nesse contexto que surgiu o humor no jornalismo brasileiro. Valendo-se de charges, caricaturas e quadros animados, a notícia era transmitida disfarçadamente. Atualmente não vivemos mais acuados pelas arbitrariedades de um governo militar. No entanto, essa forma sutil de se fazer jornalismo não ficou restrita aos tempos da censura. Há vários anos a revista Veja aderiu aos recursos icnográficos. Por meio do carimbado cronista e chargista Millôr Fernandes, a revista mantém em suas páginas um espaço dedicado ao humor. Se durante o regime militar, as pessoas se acostumaram com charges escrachadas, atualmente os leitores da revista Veja se deparam a cada semana com um tipo de humor mais refinado. O trabalho de Millôr alcança o leitor com uma sátira mais inteligente, capaz de despertar a reflexão e o senso crítico sobre assuntos que se referem à sociedade. Falando em reflexão, não podemos deixar de mencionar o personagem fictício Arc, o marciano. Por anos Veja valeu-se das histórias desse “marciano” que regularmente visitava o Brasil. Usando menos de uma página, o periódico usava o marciano para criticar o governo, as irregularidades em nosso País e o comportamento humano perverso. Disparando uma enxurrada de perguntas, Arc levava o leitor à reflexão sobre assuntos atuais debatidos nos meios de comunicação. Se há 20 anos o humor era um aliado indispensável para a veiculação da notícia, hoje também podemos perceber a continuidade desse artifício nas páginas de Veja. |
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