Revista eletrônica do curso de Jornalismo do Unasp | ISSN 1980-2994 | Unasp campus Engenheiro Coelho
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Copa 2014 e Rio 2016 - 15 de fevereiro de 2010

A mão na taça e o olho na burocracia

Depois dos festejos, é hora de colocar os pés no chão e fiscalizar

Foi emocionante. Após o anúncio do Rio de Janeiro como cidade sede para as Olímpiadas de 2016, a comitiva brasileira não se conteve. Se havia protocolos, todos foram ignorados entre abraços e pulos de alegria. O Brasil, que em 2014 vai receber a Copa do Mundo, também foi incunbido de preparar o cenário para o maior evento esportivo do planeta.

Como não poderia deixar der ser, a imprensa nacional prolongou as comemorações em terras tupiniquins. A nação verde-amarela, do futebol e do carnaval, abriu desde aquele momento os braços para o mundo olímpico, demonstrando que os eventos foram depositados em boas mãos.

Mas depois da euforia, é preciso prática. Prática de governantes, na viabilização de recursos e incentivos para no menor espaço de tempo possível, ter pronta uma infra-estrutura que atenda a tais eventos. Prática de corpo de engenheiros, técnicos, construtoras, para estebalecer projetos e colocá-los a pleno vapor. Prática de hotéis e restaurantes para atender turistas, de cidadãos, para manter o asseio de vias públicas e das praias cariocas, modernização dos sistemas de transporte público das cidades...

Receber eventos dessa magnitude, ainda que em função dos esportes, requer bem mais que modernos estádios ou complexos esportivos. Requer uma readequação de vários setores e sistemas da sociedade, entre os quais se encontra a imprensa. E é sobre ela que recai um dos maiores ônus. Não caberá a mídia apenas retransmitir para o mundo os novos recordes ou heróis das pistas, ginásios e campos. Há todo um processo de adequação que necessita ser acompanhado pelo quarto poder, do contrário, toda a felicidade pode se tornar desorganização e uma nódua na história do Brasil.

Fiscalização

Estima-se que serão investidos para os jogos olímpicos cerca de R$25 bilhões. Esse dinheiro destina-se, em sua maioria, para obras de infra-estrutura, um dos requisitos básicos para que uma cidade possa receber megaeventos. O repórter do jornal esportivo Lance!, Michel Castellar, acompanha diariamente as ações implantadas por governantes e autoridades cariocas. Atuando no Rio de Janeiro, ele é também responsável por um blog voltado especificamente para o Rio 2016 e a Copa de 2014. Para ele, as obras não estão atrasadas, mas obedecendo a trâmites burocráticos necessários para que sejam viabilizadas.

Ele divide as obras em dois âmbitos: as esportivas e as de infra-estrutura. Ele explica que as obras esportivas previstas são poucas, o que facilita a previsão de que até o prazo, estarão concluídas. “A maioria das que não existem, vão ser construídas em caráter temporário”, informa Castellar.

Quanto às de infra-estrutura, ele explica que, hoje, elas também não podem ser consideradas com riscos de extrapolar o prazo de entrega. “De certa forma, estou até surpreso com o que tem sido feito nesse sentido”, segreda. Castellar conta que foram criadas cerca de 20 comissões fiscalizadoras e que existe intenção da Câmara do município de adicionar mais duas comissões a essa conta.

“Meios existem, mas a imprensa não tem o desejo de acompanhar. Essa fiscalização acontecerá através dos meios fiscalizadores”, constata Castellar. “O que temo é que esses órgãos criados acabem não fiscalizando, pelo excesso deles”.

Para o jornalista e assessor de marketing esportivo, Breiller Pires, “o jornalismo investigativo tem cumprido seu papel de fiscalizar os recursos aplicados na realização de megaeventos esportivos no País, como aconteceu no Pan-americano”. Pires, que detém há quatro anos o blog esportivo Rola Blog, lamenta que a imprensa esportiva não cubra denúncias. “A imprensa esportiva não esmiúça denúncias, não vai atrás de novas fontes e cai no poço da falta de credibilidade. Se o investigativo não é especialidade do jornalismo esportivo, por que não investir, então, em novas abordagens?”, indaga.

Para o futuro

Para Pires, quanto à cobertura dos eventos, há pouco com que se preocupar. “O principal desafio, nesse sentido, é a capacitação dos profissionais de imprensa. Pelo fato de ser realizada no Brasil, muitos jornalistas podem se acomodar, deixando de lado o estudo de idiomas, a pesquisa aprofundada sobre outros países”, indica. Para ele, as editorias de esportes devem ir além de narrar acontecimentos ou fatos ocorridos dentro do campo. “O bom jornalismo esportivo perpassa por diversas áreas, como economia, política, cidades, sociedade, educação. Há outros enfoques, outras modalidades e muitos bastidores para serem abordados e contemplados pela cobertura esportiva”, analisa Pires.

Se por um lado a imprensa nacional está pronta para contar ao mundo o que acontecerá nos estádios e complexos esportivos brasileiros, não devemos deixar de cobrar dos responsáveis as medidas necessárias para que estes atos esportivos aconteçam. É preciso apontar mais que projetos e prazos. O enfoque deve estar em constatar e informar que medidas já estão em andamento para que os planos ambiciosos se concretizem. Se não houver meios, dificilmente veremos um final feliz – ainda que levantemos a taça.

A pauta me chegou via e-mail. Por causa de imprevistos não tive condições de comparecer à reunião de pauta. Logo que tomei conhecimento da proposta da matéria, gostei. Mais ainda porque tinha, na semana seguinte, um evento em São Paulo que abordava diretamente o assunto promovido pelo jornal esportivo O Lance. Pensei comigo: a matéria está pronta.

Não fosse um detalhe: a liberação no emprego para ir a São Paulo numa segunda-feira de manhã não deu certo. E com isso, a minha matéria do Canal ficou “de molho”.

E foram tanto os contratempos que, para resumir, só tive condições de pegar nela de novo um dia antes do meu deadline. Nesse meio tempo, pesquisei e li materiais sobre o tema, principalmente no Observatório da Imprensa, mas não tive tempo de bolar nem uma frase sequer sobre o assunto. Em paralelo a isso, fui tentando alavancar entrevistas – um outro problema, já que no fim do ano todo mundo está em clima de férias.

Montei em um dia a primeira parte da matéria, até o primeiro intertítulo. Coloquei de molho mais uma vez e fui atrás de gente para conseguir mais informações. Nessa época, já contava com as declarações do Breiller Pires, um simpático jornalista e assessor de marketing esportivo. Considerei as declarações dele excelentes para a minha matéria, mas ainda faltava algo. Talvez uma visão mais próxima, mais ligada aos eventos e seus desdobramentos.

Tentei contato no dia do meu deadline com várias redações de esportes nos estados de SP, RJ, MG e RS. No entanto, não conseguia contato. Todos estavam na rua fazendo matérias ou os telefones chamavam até cair. Além dessa matéria, ainda tinha a gravação de uma reportagem de rádio no estúdio, outra reportagem a ser feita para o Canal (feita em paralelo sobre a Confecom) e a apresentação do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no início da noite. Estava em desespero.

Por volta das 16:00h, encontrei finalmente uma redação disposta a me atender. Foi a do esportivo O Lance, do Rio de Janeiro. Conversei primeiro com um editor que depois me passou para um repórter intimamente ligado aos desdobramentos relativos à Copa e as Olimpíadas do Rio, Michel Bacellar. A conversa foi excelente. Entre informações em off e gerais, tivemos um bom diálogo. Para mim, o que faltava para terminar a matéria dentro dos prazos e tarefas que tinha para fazer. 

 


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