Revista eletrônica do curso de Jornalismo do Unasp | ISSN 1980-2994 | Unasp campus Engenheiro Coelho
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entrevista - 9 de agosto de 2012

Abaixo o preconceito!

Cada vez mais o Jornalismo dentro de organizações vem consquistando o seu espaço, devido as demandas de mercado

O jornalismo dentro de organizações, mais conhecido como Jornalismo Empresarial ou Corporativo, ainda divide opiniões. Apesar desse ramo estar em expansão, muitos jornalistas ainda tem certa resistência em considerar essa atividade como jornalismo.

O jornalista Wilson Bueno é professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Umesp, Universidade Metodista de São Paulo, atuante em Comunicação Empresarial. Bueno diz que, sem o jornalista nas oganizações, algumas pautas seriam irrealizáveis. Sendo assim tem que haver um maior respeito entre os profisionais que trabalham na redação para com os que estão nas organizações. Além disso, cada vez mais o mercado pede por profissionais que saibam realizar um bom planejamento em Comunicação.

O Canal da Imprensa conversou um pouco mais, sobre esse assunto, com Wilson Bueno. Confira a entrevista:

 Apesar de Jornalismo Empresarial ou Corporativo já ser uma matéria existente há alguns anos na grade do curso de Jornalismo, por que ainda existe esse preconceito por parte dos jornalistas da redação?

Esse preconceito já foi até maior e hoje, pelo menos para os jornalistas mais esclarecidos, esse preconceito é praticamente inexistente, mesmo porque os colegas da redação reconhecem a importância do trabalho do jornalista nas organizações. Sem eles atuando como mediadores entre as organizações e os veículos, algumas pautas seriam irrealizáveis. Bons jornalistas respeitam os colegas que trabalham nas organizações e é comum ver jornalistas de redação se deslocando para as organizações, inclusive para ocupar cargos de chefia. A maioria dos gestores de comunicação das organizações brasileiras é constituída por jornalistas de formação e a maioria com experiência em redação. Mas, em algumas cabecinhas mal formadas e informadas, ainda existe preconceito. Estão errados e ponto final.

 Por que você escolheu seguir esse ramo dentro do jornalismo?

Na verdade, eu trabalho dos dois lados porque sou editor de 8 portais e, ao mesmo tempo, atuo como consultor na área da Comunicação Empresarial. Sempre soube separar as duas funções e sempre as considerei igualmente importantes. Na verdade, elas se complementam e, na comunicação moderna, uma depende ou necessita da outra. Quem enxerga este cenário de forma diferente está, com certeza, equivocado.

 O Jornalismo Empresarial é uma área em expansão? No setor de comunicação, as empresas tem dado a devida importância ou o marketing ainda é prioridade?

A área continua crescendo e, cada vez mais, a articulação entre a comunicação e o marketing se aprofunda, tanto é verdade que defendemos, há um bom tempo, a comunicação integrada e ela só se efetiva com o diálogo entre a chamada comunicação institucional e a mercadológica. Separar comunicação e marketing significa não entender que ambas as atividades dizem respeito ao relacionamento das empresas ou organizações com os seus públicos de interesse. Uma empresa moderna não separa comunicação e marketing porque ambos os processos se articulam e se complementam. Mas, vamos reconhecer, ainda há muitas empresas e gestores que pensam de maneira fragmentada, não percebendo que o mundo mudou, mas estão perdendo o bonde da história.

Muitos ignoram o fato de que um jornalista de redação também tem que defender os interesses da empresa que está inserido. Sendo assim, a crítica de "contar somente um lado da história" cai somente sobre os assessores.  Como se pode mudar essa realidade?

A história vem sendo mudada paulatinamente e, como mencionei em resposta anterior, há um trânsito importante, no mercado profissional, entre o trabalho nas redações e internamente nas organizações. Esta mudança tem ocorrido por dois motivos: a ) o mercado nas redações tem se encolhido drasticamente e b) há uma profissionalização crescente do jornalista que atua nas organizações. A maioria dos formados em jornalismo já pensa hoje em atuar também na Comunicação Empresarial e não necessariamente apenas nas redações. Do jeito que as coisas vão, pode ser uma alternativa para a sobrevivência. O importante é que a comunicação e o jornalismo empresarial se fortaleceram, se capacitaram muito e hoje não há razão para contemplá-los de maneira preconceituosa. Já vi gente, que torcia o nariz para o trabalho nas empresas, mudar de posição e hoje a promove. O mercado da comunicação se alterou drasticamente em menos de duas décadas e vem mais mudança por aí. O preconceito não tem sentido. É fundamental ter presente, no entanto, que são dois sistemas de produção distintos, com objetivos distintos, o que não significa que um seja mais importante do que o outro. A sociedade, o mercado precisa que o jornalista, o comunicador atue (e bem) nos dois lados do balcão, como a gente costuma dizer. Viva a integração e abaixo o preconceito.

 

 

 



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