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Ria custe o que custar
Rogério Cardoso
Rafael Cortez, Danilo Gentili, Felipe Andreoli, Oscar Filho, Marco Luque, Rafinha Bastos e Marcelo Tas. Você conhece essas pessoas? Talvez sim, talvez não. E se um deles lhe aparecesse vestindo um terno preto e usando óculos escuros? Agora ficou fácil, hein? Os nomes acima estão presentes em nossos televisores todas as segundas-feiras pela Rede Bandeirantes, a partir das 22hs, em um dos programas de humor mais bem elaborados de todos os tempos: o CQC.

Mas afinal, o que significa CQC? Custe o que custar... Com humor. É claro que o “com humor” não faz parte do nome do programa, mas é o alicerce de todo o projeto.

O programa existe há dez anos e chegou ao Brasil em março de 2008. Antes, países como Chile, Argentina, Espanha e Itália já se deliciavam com o humor irreverente do programa. O CQC já recebeu sete indicações ao International Emmy Awards e é comparado ao famoso Daily Show, do canal por assinatura Sony, por seu humor engenhoso.

Para se ter uma idéia da irreverência dos repórteres, no programa que foi ao ar em 19 de maio, uma das reportagens apresentadas e conduzida por Rafinha Bastos, que também é o apresentador, juntamente com Marco Luque e Marcelo Tas, abordou um terreno em São Paulo que havia sido desmatado, com concessão da Cetesb, para a construção de um cemitério. Como reza a regra, o repórter procurou entrevistar várias pessoas, como especialistas e moradores da região, para obter um maior embasamento e fontes. Até aí, nada de diferente em relação aos programas jornalísticos existentes atualmente. De fato não haveria diferença se Bastos não estivesse fantasiado de árvore. Sobre os fatos, o repórter utilizou-se do humor inteligente, e não apelativo, para informar o telespectador.

Além do quadro acima, que leva o nome de “Proteste Já”, o CQC possui vários outros fixos nos programas. No comentado “Repórter Inexperiente”, conduzido por Danilo Gentili, o repórter entrevista celebridades passando-se por novato e tímido,  fazendo com que o entrevistado perca a paciência. Todas as entrevistas foram gravadas antes do programa estrear em março, pois caso contrário a “inexperiência” do repórter já seria de conhecimento dos entrevistados.

Outro quadro bem elaborado é o “CQTeste”. Aqui, o apresentador Rafael Cortez faz perguntas de conhecimento geral para celebridades. O objetivo é saber qual personalidade possui o QI mais elevado. Apesar de não possuir um caráter jornalístico, o quadro fornece ao telespectador informações históricas e atuais, mesmo em alguns momentos abusando do humor irreverente.

Vale lembrar também do “Top Five”. Neste espaço do programa são apresentados os 5 maiores “micos” da TV brasileira, segundo o CQC. Os demais quadros são rotativos e não possuem nomes fixos. São, no geral, reportagens com coberturas de eventos com celebridades e/ou políticos.

Este artigo não poderia chegar ao seu final sem ressaltar os interessantes sons e animações durante as reportagens. Sempre que o repórter diz algo ao entrevistado que o faça pensar, o som de um grilo ao fundo é inserido. Quando o entrevistado é questionado sobre algo imoral que tenha feito, a animação de uma mão dando uma panelada no rosto do mesmo surge. Ou mesmo quando há uma troca de olhares, aparecem alguns raios ligando os olhos do repórter e personalidade. E, ultimamente, sempre que os repórteres abordam o presidente Lula e o mesmo acena, uma estrela luminosa aparece em seu dedo.

Mesmo não aparecendo entre as maiores audiências do canal, o CQC tem mantido o formato padrão exibido nos outros países, e aparenta estar caindo nas graças dos telespectadores. Por mais que a idéia base do programa não seja genuinamente brasileira, todo o humor e irreverência aplicados pelos envolvidos são inigualáveis e muito superiores ao dos outros países. Para comparar, o leitor pode procurar por vídeos no Youtube.

Em tempos de vacas magras da televisão brasileira, o CQC, mesmo sendo “importado”, aparece como uma opção bastante interessante àqueles que procuram informação e vêem o humor como um artifício legal no seguimento. O humor utilizado pelos repórteres e apresentadores é bem trabalhado, com o intuito de agregar valor às reportagens, e nunca apelativo, como nos programas Zorra Total e Casseta e Planeta, ambos da Rede Globo e Pânico na TV, da Rede TV. Além de uma estrutura diferenciada, o Custe o que Custar aparenta ter um público diferente dos outros programas de humor citados.

A televisão brasileira precisava de um programa assim. Se você ainda não assistiu, não sabe o que está perdendo. Afinal, uma coisa é certa: toda segunda-feira à noite você vai dar boas risadas custe o que custar.