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| Humor sem frescuras | |||||||
| Débora Matoso e Francielle Ferreira | |||||||
| A publicidade é uma ferramenta de comunicação que serve para persuadir o consumidor a respeito de uma idéia, produto ou serviço. É difícil ser publicitário. Ainda mais no mundo em que estamos hoje, onde as pessoas são bombardeadas diariamente por todo tipo de mensagens comerciais e as marcas parecem todas iguais. Criar diferenciais para os produtos é um verdadeiro desafio. Exige muita transpiração e criatividade. Dizem que assim como no amor e na guerra na publicidade vale tudo. O importante é agradar o cliente e vender. Será mesmo? O sexo, a emoção, o terror e o humor são alguns dos recursos utilizados na hora da persuasão. Confundem os sentidos e levam o consumidor a aceitar uma idéia. Na publicidade são chamados de ganchos. Vamos falar sobre o humor. O humor faz parte da cultura brasileira. É comum vermos sátiras da condição social e política do nosso país. O fato de a publicidade utilizar esse recurso para vender e até mesmo divertir, criar uma simpatia com o produto, não está errado. O problema é quando o nível cai e a propaganda se torna preconceituosa, desrespeitando culturas, raças, classes sociais ou qualquer outro tipo de pessoa. Uma propaganda que criou muita polêmica foi a de um financiamento bancário que tinha dois velhinhos como atores. A senhora entrava em casa e dizia para o marido que acabara de comprar um aparelho de som. Sem entender muito e não escutando o que a mulher dizia, o velhinho perguntava “Hein?”. Ela respondia em alta voz como se estivesse falando com uma pessoa surda “Som. Vitrola. Aquele que a gente estava juntando dinheiro desde o nosso casamento. Comprei”. O comercial foi alvo de muitos comentários. Os críticos disseram que a imagem do idoso estava sendo denegrida. Que a propaganda reforçava o preconceito de que os velhos são surdos e que fazia uso de uma falha da velhice para tentar vender. A verdade é que existe uma série de mal entendidos e assombros quando se fala sobre a velhice. Esse é um assunto delicado. E reforçar estereótipos talvez não seja a melhor idéia. Muitos pensam que a grande sacada é utilizar o humor e ridicularizar algumas ações de personagens. Mas o que acontece é que os publicitários acabam sendo vistos como pessoas superficiais e sem valores éticos e morais. Irônico. Aqueles que trabalham construindo marcas e agregando valores aos produtos acabam tendo a sua imagem denegrida. A verdade é que o publicitário é sarcástico por natureza. E pode ser muito divertido e desafiante satirizar. Ainda mais quando o assunto é polêmico. A agência Fischer América para a cerveja Sol, por exemplo, criou um anúncio sobre o aquecimento global. O anúncio mostrava uma loira de biquíni segurando a garrafa da cerveja acompanhada do texto ”agora só faltava um verão de doze meses. Bem, 2050 tá logo aí”. Genial. Tomara que o planeta aqueça mais e mais. Assim pelo menos a indústria de cervejas vai ser beneficiada. Se a intenção era a de chamar a atenção para esse grande problema e conscientizar as pessoas, não foi o que deixou a entender. (http://coletivosempapas.com/wp-content/uploads/2007/03/18002.jpg) Ainda sobre o aquecimento global, a Diesel resolveu lançar uma campanha satirizando o assunto. Os anúncios mostram diversas cidades famosas como Paris, Nova York, Londres e Rio de Janeiro encobertas por causa do aquecimento global. Modelos em poses do estilo das revistas européias compõem o cenário. Uma verdadeira crítica. A campanha pode ser vista no próprio site da marca www.diesel.com. O serviço funerário sempre foi um ramo difícil para se anunciar. Para destruir essa barreira a seguradora Sinaf do Rio resolveu utilizar o humor como forma de lidar com a morte. Alguns anúncios são sutis, outros chocantes. O serviço de cremação, por exemplo, é apresentado como “novidade quentinha do Sinaf”. Um clássico das campanhas da marca é a frase “O seguro de vida que você vai dar graças a Deus. Pessoalmente”. É complicado afirmar se é ético ou não fazer esse tipo de sátira. Mas com certeza é uma alternativa criativa. Não é a toa que o humor é explorado pela publicidade. Ele é altamente eficaz. Quebra a percepção seletiva do consumidor e abre portas para que a mensagem invada o cérebro. É difícil prever o fim do humor na publicidade. Para evitar propagandas de humor negro e que agridam alguma classe de pessoas deveria haver uma criteriosa análise antes de o conteúdo chegar aos consumidores. Assim a mensagem estaria sendo colocada de uma forma que não agredisse ninguém. O humor traz o riso sim. Mas quando colocado de uma forma grotesca gera antipatia e polêmica. |
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